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Poesia Maio 2014

Não te queria distante, queria-te aqui. Tu és dislumbrante, e meu ser anseia por ti. O dia se vai, e não quer ficar, como o Sol quer ir e Lua está a vir... Estes são os meus Ais, asfixiado sem ar. por te ver a sorrir e teres de partir... é mais um dia e mais um porquê... Em teus braços não me importava de morrer, embriagado de teu ser, do teu tocar. Teus lábios são meu alimento, teu olhar meu respirar. Só te queria abraçar...

Poesia 2014 - Fernando Pessoa

Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu. Fernando Pessoa Pessoa, F. Mensagem. Poema X Mar Português. Edições Ática: Lisboa. 1959.

Poesia 19 de Março

Amar Eu quero amar, amar perdidamente! Amar só por amar: aqui... além... Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente... Amar! Amar! E não amar ninguém! Recordar? Esquecer? Indiferente!... Prender ou desprender? É mal? É bem? Quem disser que se pode amar alguém Durante a vida inteira é porque mente! Há uma primavera em cada vida: É preciso cantá-la assim florida, Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar! E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada Que seja a minha noite uma alvorada, Que me saiba perder... pra me encontrar... Florbela Espanca Pedras no Caminho Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, Mas não me esqueço de que me minha vida é a maior empresa do mundo... E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver Apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crisa Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar autor da própria história... é atravessar desertos for...

Senti que posso sentir.

Logo, logo. Sentir-te perto, eu quero. Onde estás meu amor? Onde vais tu sem meu amor? Estavas tão distante, como a um oceano de longitude, noutro Planeta, noutra Galáxia, noutra Constelação, e quanto mais distante, mais o meu amor chorava, a lágrima descia na face como suavizando a alma, teu amor purifica meu corpo e a reconhecer que estou vivo. Só te queria dar uma flor, e partilhar esta lágrima contigo...

Ser Poeta - Florbela

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendor E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim... É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim perdidamente... É seres alma, e sangue, e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente! Florbela d'Alma da Conceição Espanca tem hoje seus versos admirados em todos os cantos do mundo, diferentemente do que aconteceu quando ainda viva, época em que foi praticamente ignorada pelos apreciadores da poesia e pelos críticos de então. Os dois livros que publicou, por sua conta, em vida, foram "O Livro das Mágoas" (1919) e "Livro de "Sóror Saudade" (1923). Às vésperas da publicação de seu livro "Charneca em Flor", em dezemb...

Neve (a)

Batem leve, levemente, como quem chama por mim... Será chuva? Será gente? Gente não é, certamente e a chuva não bate assim... É talvez a ventania; mas há pouco, há poucochinho, nem uma agulha bulia na quieta melancolia dos pinheiros do caminho... Quem bate, assim, levemente, com tão estranha leveza, que mal se ouve, mal se sente? Não é chuva, nem é gente, nem é vento, com certeza. Fui ver. A neve caía do azul cinzento do céu, branca e leve, branca e fria... Há quanto tempo a não via! E que saudade, Deus meu! Olho-a através da vidraça. Pôs tudo da cor do linho. Passa gente e, quando passa, os passos imprime e traça na brancura do caminho... Fico olhando esses sinais da pobre gente que avança, e noto, por entre os mais, os traços miniaturais de uns pezitos de criança... E descalcinhos, doridos... a neve deixa inda vê-los, primeiro, bem definidos, - depois em sulcos compridos, porque não podia erguê-los!... Que quem já é pecador sofra tormentos.....