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Friday, May 23, 2014

Poesia Maio 2014

Não te queria distante, queria-te aqui.
Tu és dislumbrante, e meu ser anseia por ti.
O dia se vai, e não quer ficar,
como o Sol quer ir e Lua está a vir...
Estes são os meus Ais, asfixiado sem ar.
por te ver a sorrir e teres de partir...

é mais um dia e mais um porquê...
Em teus braços não me importava de morrer,
embriagado de teu ser, do teu tocar.
Teus lábios são meu alimento, teu olhar meu respirar.
Só te queria abraçar...

Monday, February 03, 2014

Poesia 2014 - Fernando Pessoa

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa Pessoa, F. Mensagem. Poema X Mar Português. Edições Ática: Lisboa. 1959.

Tuesday, March 19, 2013

Poesia 19 de Março


Amar

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Florbela Espanca



Pedras no Caminho

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
Mas não me esqueço de que me minha vida
é a maior empresa do mundo...
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
Apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crisa
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar autor da própria história...
é atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um só oásis no recôndito da sua alma...
E agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
é saber falar de si mesmo.
é ter coragem para ouvir um não!
é ter segurança para receber uma crítica,
Mesmo que injusta...
Pedras no meu caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

Fernando Pessoa




Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís Vaz de Camões




Upon the Sand

All love that has not friendship for its base,
Is like a mansion built upon the sand.
Though brave its walls as any in the land,
And its tall turrets lift their heads in grace;
Though skillful and accomplished artists trace
Most beautiful designs on every hand,
And gleaming statues in dim niches stand,
And fountains play in some flow'r - hidden place,

Yet, when from the frowning east a sudden gust
Of adverse fate is blown, or sad rains fall,
Day in, day out, against its yielding wall,
Lo! the fair structure crumbles to the dust.
Love, to endure life's sorrow and earth's woe,
Needs friendship's solid masonwork below.

Ella Wheeler Wilcox

Saturday, July 07, 2012

Senti que posso sentir.

Logo, logo. Sentir-te perto, eu quero.

Onde estás meu amor? Onde vais tu sem meu amor?
Estavas tão distante, como a um oceano de longitude, noutro Planeta, noutra Galáxia, noutra Constelação, e quanto mais distante, mais o meu amor chorava, a lágrima descia na face como suavizando a alma, teu amor purifica meu corpo e a reconhecer que estou vivo.

Só te queria dar uma flor, e partilhar esta lágrima contigo...

Monday, March 26, 2012

Ser Poeta - Florbela

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela d'Alma da Conceição Espanca tem hoje seus versos admirados em todos os cantos do mundo, diferentemente do que aconteceu quando ainda viva, época em que foi praticamente ignorada pelos apreciadores da poesia e pelos críticos de então. Os dois livros que publicou, por sua conta, em vida, foram "O Livro das Mágoas" (1919) e "Livro de "Sóror Saudade" (1923). Às vésperas da publicação de seu livro "Charneca em Flor", em dezembro de 1930, Florbela pôs fim à sua vida. Tal ato de desespero fez com que o público se interessasse pelo livro e passasse a conhecer melhor a sua obra. Dizem os críticos que a polêmica e o encantamento de seus versos é devida à carga romântica e juvenil de seus poemas, que têm como interlocutor principal o universo masculino.


Texto extraído do livro "Sonetos", Bertrand Brasil - Rio de Janeiro, 2002, pág. 118.

Sunday, December 11, 2011

Neve (a)

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim...
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim...

É talvez a ventania;
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento, com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
Há quanto tempo a não via!
E que saudade, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
de uns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
- depois em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos... enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na natureza...
– e cai no meu coração.


Augusto Gil - Luar de Janeiro, 1909